quarta-feira, 20 de julho de 2011

As cabeças de touro da cidade de Beja

Ilustração: planta aproximada de uma das cabeças de touro, a da esquerda, situada na galeria exterior do Museu Regional de Beja, cujo "acervo arquitectónico" romano, entre fuste liso fragmentado, cabeças de touro, capitéis compósitos e cornijas, é quase todo proveniente da área delimitada entre as ruas dos Infantes, do Touro e extremos do Largo da Conceição (entre a ábside da demolida igreja de S. João e a antiga Rua da Torrinha), portanto, provavelmente, do extremo Estesudeste do Forum de Pax Ivlia.
Ver a perspectiva do "friso de ângulo", com as cabeças de touro, na tentativa de reconstituição do post anterior.



No Relatório das Couzas notaveis desta cidade (pelo padre Pedro Pires Nolasco prior de S. João, em 1734), manuscrito da Biblioteca Municipal, constam dados importantíssimos acerca dos túneis que atravessam a cidade; da construção de formigão próxima da igreja do Pé da Cruz, das portas da muralha, etc..

Nas folhas quatro e seguintes podemos ler que «a freguesia de S. João Baptista ocupa a parte ocidental da cidade; tem 620 vizinhos, alguns anos serão menos, passando de seiscentos fogos e duas mil e quinhentas e sessenta e uma almas de sacramento; tem duas confrarias de ordenança a que chamam S. João de fora e S. João de dentro, porque os moradores intramuros têm um capelão e os de fora outro».

A igreja paroquial, situada entre as Ruas do Touro e do Sembrano, é de uma só nave, pavimentada a tijolo, integrando algumas campas de pessoas particulares, enquanto a capela mor, quase toda coberta de campas, tem a sua ousia de pedra feita no ano de 1719. As paredes são de alvenaria e as esquinas de mármore branco, mas muito pequena a respeito de povo e muito tosca. A capela mor é de abóbada pequena e baixa e, pela parte de dentro, tem «arcos de pedra a modo de pernas de aranha» (isto é, tinha nervuras; tinha uma abóbada nervurada e estrelada no intradorso da capela mor), nela está o tabernáculo do Santíssimo Sacramento e no retábulo a imagem de vulto de S. João Baptista titular e principal patrono da igreja; no lado da epístola está a imagem de Santa Maria Madalena, padroeira menor. O arco do cruzeiro é de pedra mármore, todo tosco e antigo - os dois fundamentais (isto é, os pés direitos, as jambas) são duas pequenas e toscas colunas de mármore.

O tecto do corpo da igreja é de madeira, com apainelado largo e frisos, de cerca de 1680; a cobertura é de telha mourisca. Acima do arco da capela mor está colocada uma imagem de Cristo Crucificado de meia grandeza e muito devota; ao lado direito, Nossa Senhora do Pé da Cruz e, ao lado esquerdo, o Santo Evangelista João. Mais acima deste conjunto está um quadro do grande Baptista, representando-o numa floresta, sentado e recostado, junto ao tronco de uma árvore, com um cordeiro do lado esquerdo (um primor de arte, observa o padre Pedro Pires).

A porta principal está ao ocidente e a outra no sul, ao lado da epístola. Tem o corpo da igreja quatro altares mais dois colaterais com seus retábulos dourados ladeando o arco da capela mor. O primeiro da esquerda é o do glorioso S. Braz, bispo e mártir, cuja imagem situada no nicho central está ladeada de S. Luís, bispo, e de Santo António com o Menino; a seguir o altar de S. Vicente Ferrer, ladeado à direita por Santo Agostinho doutor e S. Romao mártir - a imagem de S. Vicente foi colocada na igreja em 1720, à custa do seu grande devoto Agostinho Simões, mercador que foi de roupas inglesas nesta freguesia. Ao lado direito, o altar colateral é o do Sacramento, na sequência do ornato que vem da porta da confraria do S.S. –no meio tem a imagem de Nossa Senhora das Candeias, ladeada pelas imagens de Cristo Nosso Senhor preso à coluna e do Senhor da Cana Verde; o segundo altar quase a meio da nave, em frente ao de S. Vicente Ferrer, é o de Nossa Senhora do O, imagem de glória no meio de uma formosa tribuna entalhada e dourada, com Bula Apostólica de indulgenciar. Entre este altar e o do SS. Sacramento fica o coro donde se reza; e entre este e o altar já nomeado de Nossa e Senhora do O fica o púlpito; e entre o altar do Santíssimo e o altar mor fica a sacristia. Entrando na nave, à esquerda, fica o baptistério, adossando-se-lhe a sacristia da confraria do Santíssimo, com muito suficiente ornato e serviço de prata para os usos das suas funções. A torre sineira, situada à direita da entrada principal, fica saliente à fachada e serve de apoio ao alpendre abobadado, construído em 1719.

Dando para o interior do nartex, embutido na face da torre, está um nicho de pedra fina muito bem lavrada com a imagem de Nossa Senhora da Oliveira, de glória com as mãos postas, de perfeitíssimo feitio com cortinados, mantos e vidraça, porta e lâmpada, tudo com muito custo e muito rico, à custa do devoto dr. padre Xavier Lobo desta cidade e freguesia, no ano de 1728 (julgamos que este nicho é o mesmo, mas sem imagem, que se encontra no pátio do Convento da Conceição, onde também foi reconstruído o presumível portal da demolida igreja paroquial de João).

A folha undécima, fala-nos das «Antigualhas q se achão dispersas nesta freguesia. Nas costas da capela mor da minha igreja, estão duas cabeças de Touro esculpidas em dois grandes mármores, que mostram ser de tempo muito antigo. No frontispício das casas donde mora o padre Manuel Nunez escrivão desta cidade se acha outra semelhante e dentro das mesmas casas se acha sepultado outra figura de um grande boi, e no muro antigo desta cidade e freguesia está outra grande cabeça de Touro […]deviam ser de grande construção, palácio, etc. […] pois que ainda hoje se vê uma cabeça na praça de baixo das janelas da casa da camara desta cidade e outra sobre as portas de Évora». Diz- nos também o padre Pedro Pires Nolasco que só nesta freguesia da cidade se encontram estas coisas, assim tão antigas - «cabeças de boi a que chamam brasão da cidade».

Para a semana que vem tentaremos mostrar, com base: no auto de medição de 1608; na orientação da igreja e nalguns dados fornecidos não só por este manuscrito de 1734, mas também pelo Boletim Municipal de 1919 – 1922, que o edifício, o monumento demolido durante a primeira República, pode ter sido um templo romano reaproveitado1.

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Recordamos a parte segunda deste estudo preliminar sobre a igreja de S. João Baptista, vinda a lume na Iconografia Pacense (cerca de 135 crónicas que escrevemos e ilustrámos, desde 1995 até 2000, para o jornal Diário do Alentejo), porque nem as descobertas fortuitas de espécimes arqueológicos de grande qualidade na cidade permitem, autorizam ou legitimam, uma paragem séria e responsável para pensar afinal naquilo que de grave se anda a fazer. Descobre-se qualquer coisa, retira-se essa coisa e tapa-se, tal como fazem a maioria dos empreiteiros (felizmente há excepções). Nem lhes faremos críticas, pois seguem de perto o exemplo oficial. Quanto ao resto, a profunda razão de ser deste lamento - de um cidadão que ama a cidade onde vive - tem a ver de facto com o capitel e a cabeça de touro, descobertos há poucos dias na vala que se abriu ao longo da Rua do Touro, e que o município fez recolher e salvaguardar nas suas instalações como lhe compete. Contudo, julgamos que, pelo teor da crónica que então escrevemos e que aqui de novo reproduzimos, teria sido aconselhável conhecer melhor o contexto arqueológico-histórico dos achados, pois não duvidamos que a cabeça de touro encontrada teve como primeira notícia histórica o texto que reproduzimos do padre Nolasco e que essa notícia aponta para algo mais importante que não distará muito do local da descoberta: o corpo de um touro, a somar às estruturas do edifício do período romano, visíveis no ex-restaurante “Os Infantes”, ao qual provavelmente pertencia.

In Diário do Alentejo de 23 Junho 2006


1 BORRELA, Leonel – “Igreja de S. João Baptista – II”. In Diário do Alentejo. Beja: Associação de Municípios do Distrito de Beja, 29 de Setembro de 1995.

Entre o que se sabe e o que se ignora

Já dizia um novelista francês, André Gide (1869-1951), que entre o que se sabe e o que se ignora, está o que se supõe. - É esta a relatividade do conhecimento que nos acompanha.

Por exemplo, no estudo de um capitel, já não é mau saber que o é, melhoramos quando lhe identificamos o estilo artístico e, mais ainda, ao apontarmos-lhe uma cronologia aproximada - e é preciso não esquecer que todas estas inferências são já consequência do conhecimento que já temos da gramática decorativa e da sua evolução, das formas que nos rodeiam e dos materiais utilizados. Falta o que ignoramos e passamos, através de lacunas e vestígios incipientes, à suposição sobre o seu lugar exacto no edificio a que pertencia e porquê esse posicionamento e não outro, e, também, se o edificio era um templo, uma igreja, um arco triunfal, ou outra construção por definir.
Só assim conseguimos ultrapassar o simples inventário de um capitel para entrar a sério no campo da investigação, pois há que conhecer a utilidade e o porquê das coisas, além da sua singularidade formal, e relacioná-las com as pessoas.

Publicado no facebook  às 15h 11m de 15 de Julho de 2011



Ilustração: tentativa de reconstituição e posicionamento, num entablamento romano, de um "friso de ângulo" (denominação que criámos a partir da conhecida janela ângular ou de esquina) constituido por duas cabeças de touro, perpendiculares entre si e solidárias no mesmo bloco de mármore aparelhado - colecção do Museu Regional de Beja.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Restos monumentais de Pax Ivlia I - Friso de ângulo com cabeças de touro.

Restos monumentais de Pax Julia (I)

A arquitectura romana dos edifícios religiosos, públicos e civis, era grandiosa, profusamente decorada com escultura, pintura, mosaico e estuques relevados e coloridos. Eram construções que glorificavam o imperador, as divindades e os grandes feitos de armas, queriam-se magnificentes e eternas.

O domínio de Roma estendia-se pelo mundo conhecido de então, chegando a integrar quase toda a Europa, boa parte da Ásia ocidental e todo o norte de África, distintas e longínquas partes do império interligadas pelo imenso Mediterrâneo.

Aqui, na província baixo alentejana, parte maior da antiga Lusitânia, cuja capital era Mérida, conservam Beja, Mértola, Vidigueira, Santiago do Cacém (Miróbriga), Grândola (Tróia) e Alcácer do Sal núcleos importantes daquele passado histórico, ainda mais valorizado por quanto se sabe ter sido Pax Julia a sede de um convento jurídico que se estendia para lá de Évora até aos limites de Scalabis (Santarém), a outra das três sedes em que se dividiu a Lusitânia.

É, essencialmente, a partir do século XVI, após a descoberta, na herdade da Lobeira, da famosa lápide votiva, dedicada por Pax Julia ao imperador Comodo, que Beja romana começa a sair do anonimato em que se encontrava - os achados ocasionais de grandes mármores trabalhados veiculam assim maior relevância, tendo de ser vistos com outros olhos, pois pertenciam àquela cidade onde se comemorara a paz luso-romana. Essa lápide, ainda hoje, depois de ter, desde o século XVI, figurado em todos os edifícios onde funcionou o município pacense, se encontra exposta no cimo da escadaria principal da actual Câmara Municipal à Praça da República.

Já no século XVIII, Félix Caetano da Silva, bejense, autor da História das Antiguidades de Beja, o padre Pires Nolasco nas suas memórias paroquiais e o bispo D. Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas nos falavam da grandeza, quantidade e antiguidade, das cabeças de touro, capitéis, fustes, frisos, escadarias e outras estruturas ainda subsistentes como sejam as portas de Avis, de Évora e de Mértola (não referindo, qualquer dos autores, a romana de "Santa Catarina» ou de "Vipasca», ali à Rua Dr. Brito Camacho, antiga do Buraco, porque naturalmente já estaria desactivada e destruída há muito tempo, abrindo-se uma outra, a medieval de Aljustrel também desapareci¬da na voragem das demolições levadas a cabo pelo camartelo do progresso durante a segunda metade do século XIX e seguinte)

À custa das demolições oitocentistas, avoluma-se ainda mais a já valiosa colecção arqueológica que Cenáculo organizara 100 anos antes no seu Museu Sesinando Cenáculo Pacense, um dos primeiros do seu género em Portugal, então instalado no antigo Colégio dos Jesuítas.

Infelizmente, as esculturas figurativas e outras peças que hoje deveriam estar em Beja, dada a sua raridade e qualidade de execução, e porque são de cá, encontram-se actualmente expostas no Claustro do Museu de Évora, cidade para onde Cenáculo levou então parte da "sua" colecção.

Agora, passados outros 100 anos, Beja continua a ver constantemente enriquecida a sua história sob domínio romano. Em 1982, descobria-se numa fossa de edificação antiga da Rua dos Infantes, no restaurante "Os Infantes", um grande capitel romano, de estilo compósito/coríntio, possivelmente o maior em volumetria da Península Ibérica, além de estruturas in situ , um fuste liso fragmentado e um outro capitel coríntio de folhas de acanto lisas; e, em 1995, pelo mês de Maio, durante obras de conservação de um muro e beneficiação exterior do quartel da GNR (antigo Colégio dos Jesuítas), encontraram-se mais um fragmento de cabeça de touro, um capitel informe, delineado e inacabado, além de um outro, corintizante também de tipologia rara para a cidade. Em suma, um rol de peças monumentais que passaremos a descrever.

Algumas das cabeças de touro da antiga Pax Julia, referimo-nos às mais monumentais, às duas de maior dimensão que se encontram expostas na galeria exterior do Museu Regional de Beja, entre capitéis compósitos e corintios e cornijas de que vos iremos falar, integram um conjunto de cerca de nove ou dez, dispersas pela muralha da cidade, Igreja de Santa Maria, Ermida de S. Sebastião (depósito de material lítico do Museu), Tanque do Cano e praça de armas do castelo.

Essas duas cabeças têm sido, ao que sabemos, vistas isoladamente, não se relacionando a sua função estrutural e decorativa com um determinado posicionamento no edifício a que pertenceria. Analisando, mesmo que superficialmente, uma das cabeças, constatamos que houve um desbaste lateral, profundo, sem dúvida muito posterior ao período romano, cuja intenção seria permitir com maior facilidade encaixá-la numa parede - sabe-se que as duas cabeças estavam colocadas na abside da demolida Igreja de S. João, orientadas para a antiga Rua do Touro (cf. "Iconografia Pacense” in Diário do Alentejo Setembro/Outubro de 95).

A outra mostra-nos uma cabeça quase sem "retoques" posteriores, provida no cimo de saliência rectangular destinada a suportar alguma coisa, talvez uma cornija ou outro elemento arquitectónico; o seu peito e espádua são fortes e bastante relevados do bloco paralelepipédico em que foram esculpidos, notando-se, à direita, boa parte da espádua de uma outra cabeça e peito há muito desaparecidos.

Segundo esta sumária análise, teríamos um bloco com duas cabeças salientes, de faces contíguas, perpendiculares entre si. No templo chamado de Minerva (século III d.C.), da cidade numida de Theveste (actual Tébessa) na Argélia, raro pela dis¬posição de dois frisos sobrepostos, profusamente decorados, podemos ver a representação de duas cabeças de touro baixo relevadas, uma em cada face do ângulo, sobre uma das colunas corintias de esquina; sobre as colunas seguintes, em cada face do templo, sobrepõe-se, sempre, uma cabeça de touro (cf. Vol. VII das Grandes Descobertas da Arqueologia, Planeta Agostini, Barcelona, 1988).

Haverá mais exemplos da utilização de um friso angular, assim lhe chamamos nós, com estas características de simetria; do tipo de edifício, público ou religioso, a que pertenceria, ou pertenceriam, algumas das cabeças de touro da cidade, nada sabemos, nem conhecemos a sua localização exacta, embora o espólio, amplamente reutilizado ao longo dos séculos, na área mais elevada aponte para os grandes edifícios do fórum, naturalmente situado entre o Convento da Conceição e o extremo contrário da Praça da República, junto à Igreja da Misericórdia.

Porém, no seio de tantas incertezas, uma observação nos parece correcta: pelo menos uma das cabeças de touro da cidade romana era perpendicular a uma outra do mesmo bloco constituindo um friso angular, raro no nosso País.






Cabeça de touro romana do Museu Regional de Beja. Tentativa de reconstituição de um friso de angulo com duas cabeças de touro. Altura 70 cm; largura 80 cm. Foto e desenho do autor

"Iconografia Pacense" in Diário do Alentejo 17 de Abril 1998

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

UMA CABEÇA DE JÚPITER?







A cabeça romana de mármore que hoje divulgamos foi encontrada, em recolha de superfície, há cerca de vinte e cinco anos, numa estação arqueológica da freguesia de Baleizão, conhecida pelo nome de Lamarim. Adquirimo-la, então, antes que desaparecesse da cidade levada por algum estrangeiro ou curioso. A sua história ocasionou-lhe um percurso atribulado. Com efeito, um arqueólogo nosso conhecido - ao qual prestámos colaboração no início da prospecção arqueológica das ruínas romanas da Rua do Sembrano – nessa altura técnico superior dos Serviços de Arqueologia da Zona Sul e, mais tarde, professor na Universidade de Évora, ao saber da existência da peça pediu-no-la para a estudar e publicar, resultando dessa cedência o seu desaparecimento e, ao que parece, nunca chegou a ser publicada (se o foi, se alguém sabe de mais alguma coisa a seu respeito, agradecemos que nos diga, para corrigir este artigo).

Passaram-se quase vinte anos e, quando frequentámos, em 2003, o 4º semestre do curso de História da Universidade de Évora, integrámos uma das fotografias que possuíamos da referida cabeça num dos trabalhos práticos da cadeira de Métodos e Técnicas de Arqueologia, leccionada pelo Dr. Panagiotis Sarantopoulos que, surpreendido, nos informou que o referido exemplar estava guardado no laboratório de arqueologia. Abreviando: embora, aparentemente, nada obstasse a devolução da peça, a situação não se alterava, até que na sexta-feira passada teve, como se costuma dizer, quando tudo corre bem, um final feliz. Já a temos de novo… ao fim de vinte e cinco anos, e, agora, já todos os nossos leitores e investigadores a podem ver e estudar, neste caso, preferencialmente, melhor do que nós.

A cabeça de mármore branco, provavelmente de Estremoz, pesa 1,5 Kg e tem as seguintes dimensões máximas: Altura – 16 cm; Largura – 11 cm; Espessura ou profundidade – 7,5 cm. Segundo a Carta Corográfica de Portugal, Nº43-B Moura, de 1978, as coordenadas Gauss do achado correspondem a: M- 235,6; P- 121,4; Z- 190. Reutilizando o nosso texto relativo ao local, situado a 4000m a NNO de Baleizão, esclarecíamos, entre outros aspectos, que a toponímia Lamarim já nos referenciava terras de barro, alagadiças, praticamente intransitáveis durante a época das chuvas. Um barranco separa essa área da encosta que lhe fica a nascente, na qual se observam diversos muros, tégulae, ímbrices, mármores decorados, muita terra sigillata, fragmentos de lucernas, etc..

Inicialmente julgámos que a cabeça representava Sileno, fazendo jus à orelha comprida, de animal, e às barbas que poderiam caracterizar uma pessoa mais velha, como atributos identificáveis da figura mitológica que acompanha Baco como seu preceptor; poderia até ser um sátiro ou um fauno, dada a capacidade que estes entes da mitologia têm de se disfarçarem, ou de outros se disfarçarem neles, para conseguirem os seus objectivos. Estávamos, portanto, a colocar o trabalho artístico na senda greco-romana de Dionísio e Baco, festas, divertimentos, copos, volúpia, etc., hipótese que não seria exagerada dada a quantidade de tampas de sepultura romanas em forma de pipa dedicadas simbolicamente ao deus Baco. Mas, não nos parece que assim seja. Observando melhor a pequena escultura, vemos como ela de facto conserva no mundo artístico romano um determinado ideal de representação da arte helénica, um rosto vigoroso e sério, fora do comum dos mortais e dos deuses menores; a metade direita do rosto permite-nos ir mais longe na análise: a orelha é de facto animalesca, pontiaguda, tal como o chifre de carneiro que a envolve sobressaindo ligeiramente, e que na primeira leitura não identificámos. O trabalho de cinzel e de trépano permitiu, cremos, a execução de uma obra escultórica muito próxima das que se produziram no início do século II, ao tempo do imperador Adriano (117-138), lembrando o apurado trabalho das madeixas de cabelo soltas, quase vivas, porém idealizadas da escultura de Antínoo (Cf. “Historia de España”, tomo II, Dir. Ramón Menéndez Pidal, MADRID: Espasa Calpe, S. A., 1938. pp. 647-689), o escravo favorito de Adriano. Muitas outras esculturas apresentam um estilo semelhante, como a de Septímio Severo, exposta no Museu Capitolino, em Roma, embora esta seja do início do século III, pois não foram poucas as vezes que ao realismo romano sucedeu o ideal grego).

Consideramos que esses pormenores são suficientes para que possamos atribuir a cabeça do Lamarim a Júpiter, o deus máximo do panteão romano, numa das suas muitas metamorfoses, neste caso, provavelmente, como Júpiter-Amon. Segundo a mitologia, Júpiter, escapou à ira de Saturno, seu pai, e foi criado, escondido na ilha de Creta, pela cabra Amalteia, sua ama. Mais tarde, senhor do Céu e da Terra, haveria de perseguir os seus irmãos sob a figura de carneiro. Sempre que queria algo problemático disfarçava-se ora de Sátiro para conquistar Antíope, ora de Touro para arrebatar Europa, ora de Cisne, de Águia, enfim, dele tudo dependia, tinha um poder infinito. Júpiter foi ganhando entre os devotos qualidades inerentes às atribuições que lhe davam no campo, nas casas, na moral. Prestavam-lhe um culto de Estado, deus supremo do Capitólio, chamavam-lhe Optimus Maximus. Os egípcios acabaram por venerá-lo como Júpiter Amon, junção do seu deus Amon com o dos romanos, e o atributo que o distinguia era um par de chifres de carneiro, simbologia do Sol. Na Lusitânia foi grande o culto a Júpiter.

Outro aspecto muito importante, para se puder avaliar a devoção, a cultura e a economia dos povos desta região da Lusitânia, prende-se com a produção local desta e de outras esculturas. Jorge Alarcão esclarece-nos (“Portugal Romano”. Lisboa: Verbo, 1983. p. 211; acerca de Júpiter pp. 134,165,168, 170 e 179) que “Das estátuas de divindades, muitas são obras lusitanas; assim, as cabeças de Endovélico encontradas no santuário de São Miguel da Mota (Alandroal), atribuíveis ao século I d. C.; as duas cabeças de Conimbriga, representativas de Vénus ou Diana; talvez ainda a estátua de Vénus, de Santiago do Cacém, da qual, infelizmente, pouco resta. Os Silenos do teatro de Lisboa serão também locais.”. O trabalho de cinzel da cabeça de Júpiter (?) que estudamos foi abandonado quando a parte superior esquerda se separou, deixando ainda visível o tratamento menos minucioso e em bruto desse lado fracturado. Há mais de vinte anos identificámos uma villa na horta de Vale do Bispo, assim como o aqueduto romano que ainda hoje a serve e que deveria, há quase dois mil anos, servir com abundância de água a oficina de canteiro que lá funcionava. Há pouco mais de quinze anos o seu proprietário, sr. José Maria, já falecido, retirou da terra várias árulas de mármore branco, anepígrafes, apresentando uma delas por finalizar as molduras da base e da cornija. Ofereceram-nas ou venderam-nas, não se sabe a quem.

Considerados estes aspectos singulares de uma peça do património cultural que afinal não se perdeu, e que está longe de estar convenientemente estudada, esperemos que pelo menos estas achegas sirvam para reavivar o debate, há muito sumido, em torno da emergência da investigação do património cultural histórico e arqueológico da nossa região.



Cf. BORRELA, Leonel – “Iconografia Pacense - Uma cabeça de Júpiter?”, in Diário do Alentejo de 6 de Abril de 2007.







domingo, 19 de setembro de 2010

O estado deplorável do património cultural do nosso país.

Por favor visitem este site. Há que parar a degradação crescente do nosso património cultural.
 http://acultura.no.sapo.pt/page7.html.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O Cupido desaparecido da villa romana dos Pisões, em Beja

O Cupido desaparecido da villa romana dos Pisões


Cupido, filho de Vénus, a deusa da beleza e do amor, e de Mercúrio, o mensageiro alado dos deuses, é na mitologia romana o mesmo que Eros, filho de Afrodite, também deusa da beleza e do amor, e de Ares, o deus da guerra, é na mitologia grega. Representa a harmonia perfeita entre as paixões do amor e da guerra, esta subordinada àquele, antecipando em milhares de anos a frase e o conceito de “Make love, not war” dos Beatles, da sua época e da sua entusiástica influência.
Cupido, em criança, surpreendia tudo e todos com a sua feliz traquinice. Dotado de asas, tal como seu pai romano, e do bélico aparato de arcos e flechas, de seu avô grego, pôs a facilidade e rapidez de movimento ao serviço da celebração do amor entre os amantes. Escolhia normalmente os mais solitários e lançava-lhes setas directamente aos corações impregnando-os de uma paixão sem remédio, daqui as representações posteriores de uma seta atravessando o coração, divulgadas essencialmente a partir do século XVII e com maior expressividade nos postais ilustrados do século passado.
Cupido, já adulto, tornar-se-ia o mais belo dos deuses, seduzindo mesmo os homens mais duros a abraçarem os sentimentos mais nobres. Como deus, também se perdeu de amores, sendo proverbial, entre os eruditos da mitologia greco-romana, o seu inexcedível amor pela bela Psyché – retrato metafórico da alma que procura, como corpo seu, o corpo do amante, numa conjugação perfeita. Este deus do amor tem sido, de entre os deuses, um dos grandes preferidos da Arte ao longo da história do ocidente europeu. Não é de estranhar vê-lo tantas vezes associado, através das suas flechadas amorosas, ao dia de S. Valentim, protector cristão dos apaixonados.
Quase perdido durante a Idade Média, o espírito humanista, emergente a partir dos séculos XIII e XIV, em Itália, recupera para a arte e para a escrita a cultura clássica, reaparecendo o Cupido, em parte transformado num anjo atencioso, menos narcísico nos seus actos, mais confidente e próximo dos humanos. Através da mentalidade do período clássico barroco, podemos, de entre centenas de obras de arte, observá-lo numa gravura aberta por Jean Massard (1740-1822), concebida por Charles Eisen (1720-1778), para as Cartas Portuguesas interpretadas pelo poeta Claude-Joseph Dorat (1734-1780)[1]. O pormenor da gravura, sobre a célebre janela de Mértola, cativa-nos pela flagrante proximidade entre Cupido e Mariana – se houve seta não sabemos, mas parece ter havido um olhar intenso e sintomático (ao contrário do que proíbe a mitologia, pois um deus não se olhava), além de uma cúmplice troca de palavras.

Expostos, ainda que parcialmente, a figura e os atributos de Cupido, interessa, agora, regressarmos à realidade bejense. Faz tempo, já com algum significado, vai para cerca de dez anos, que desapareceu do Posto de Turismo, então situado na Rua Capitão João Francisco de Sousa, uma bela escultura romana, proveniente da estação arqueológica da Villa Romana de Pisões. A escultura de Cupido deitado (veja-se a fotografia que tomámos aquando da sua exposição, há pouco mais de vinte anos, numa feira de Agosto, em Beja), cinzelada em alto-relevo, a partir de um pequeno bloco de mármore branco de Vila Viçosa ou Estremoz, com perto de 50cm de comprimento, desapareceu durante umas obras de reabilitação do local referido e nunca mais se soube nada dela. Esta reprodução fotográfica tem o objectivo de a tornar conhecida do maior número de pessoas, pois pode haver alguém que a tenha visto noutro local e denuncie a sua posse ilegal. É o que se pode fazer, por agora, sem esquecermos que a Internet também pode e deve ser utilizada na sua busca.
Ignoramos qualquer trabalho de investigação artístico, histórico, ou de outra natureza, sobre este Cupido que, apesar de fragmentado, em três ou quatro partes, permitia, contudo, como se documenta, a leitura fiel da totalidade da obra e dos seus adereços identificativos: ainda criança, cumpridos os calorosos cuidados de mais uma jornada amorosa, descansa e adormece, por fim, totalmente nu, Cupido, protegendo entre os seus braços a aljava com as setas; está sereno, com o corpo ligeiramente reclinado sobre o seu lado esquerdo; um lagarto acompanha-o no repouso.
O elemento mais enigmático, cuja presença não é fácil explicar, é o lagarto, parado, que, tal como Cupido, parece adormecido ou, talvez, expectante pelo acordar do pequeno deus. Na religião cristã o lagarto está associado à vigília protectora do Bem – normalmente repele as serpentes, símbolos do Mal. Mas, no período romano, este lagarto parece representar, julgamos, todos aqueles que não se movem, que estão em estado letárgico no amor, e que esperam pelo acordar de quem os pode socorrer – a não ser que ali, pela Villa de Gaio Atilio Gordo, a deusa Ceres, criticada pelo riso de uma criança, tal como a ironizara Estélio, a quem transformou em lagarto, tivesse pedido um voto de confiança – uma criança tão mansa quanto um lagarto - ao proprietário pelos alimentos que ela exageradamente consumia.
A Villa romana de Pisoes, cujos vestígios já se conheciam, bem antes de se iniciar a sua prospecção, há pouco mais de 40 anos, sob a responsabilidade do arqueólogo bejense, Dr. Fernando Nunes Ribeiro (falecido em Maio de 2009), até princípios de 1974, é datável dos séculos I a IV, sendo de admitir uma breve ocupação visigoda. Cremos que de 1974, ou mais precisamente, de 1976 até 1979 houve uma equipa na direcção da prospecção, constituída por Fernando Nunes, José Luís Soares, Rui Parreira, Monge Soares e Mário L. Sardica. Ainda foi objecto de prospecções posteriores, mas sem a continuidade e o interesse que antes tiveram. Justino M. de Almeida e Fernando B. Ferreira, publicam, em 1969, os primeiros resultados das prospecções; Fernando Nunes publica, ainda em 1972, um estudo, ainda o mais completo, sobre a Villa dos Pisões; José Luís Soares (também falecido em 2009) apresenta, em 1973, uma comunicação sobre um prato de terra sigillata com a sigla Mandatti; João Mário L. Sardica faz, em 1975, uma abordagem complementar às partes urbana, rústica e fructuária; enquanto Maria Luísa V. Costa dá a sua contribuição, em 1986, para o estudo da gramática decorativa dos mosaicos e da sua cronologia; a barragem de Pisões é também alvo de um estudo, em 1986, de António Carvalho Quintela e outros. Actualmente, a recepção turística, possui um pequeno centro de interpretação da casa senhorial romana, composta por mais de quarenta divisões… e não está tudo à vista.
Infelizmente, uma das melhores e mais ricas villae romanas do país, encontra-se, apesar de precariamente visitável, num progressivo estado de abandono. É urgente a organização de um museu de sítio que permita devolver condignamente às ruínas o seu riquíssimo espólio, antes que se perca e disperse ainda mais. É uma tristeza ver o descalabro em que se encontra o estado do valiosíssimo património arqueológico da região.
[1] Lettres d`une chanoinesse de Lsibonne[…]. A la Haye et […]Paris: Lambert, Jorry et Delalain, M.DCC.LXX.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A funcionalidade medieval da torre de menagem de Beja

Um acesso plausível à Torre de Menagem do castelo de Beja

Em Beja, já na adolescência, pensávamos na organização de um livro ilustrado, baseado nos pormenores que paulatinamente íamos descobrindo na cidade. O primeiro contacto respeitaria a arquitectura e a sua múltipla funcionalidade no decorrer dos diferentes períodos históricos; o segundo, a evolução da sociedade pacense. Julgámos que tal concepção era um esboço de realização rápida, mas não foi. O futuro próximo que almejávamos revelou-se, afinal, um constante adiamento. Assim, durante todos estes anos, como artista plástico, a maioria das exposições de arte que realizámos, foram e ainda são condicionadas, por vontade própria, ao estudo e divulgação do património cultural de Beja e, consequentemente, à formação de um espólio documental misto que, ditosamente, já está mais perto de vir a ser utilizado como uma base de dados informatizada. A preocupação da adolescência converteu-se numa responsabilidade pessoal de defesa intransigente (não contumaz… porque se fosse!) do património cultural de Beja, para a qual, de facto, nunca lográmos o devido apoio oficial[1]. Abrir as portas a uma qualquer exposição é tarefa fácil, o mais difícil é patrociná-la e, em Beja, patrocina-se com frequência, em detrimento dos valores da terra, a idiossincrasia, não diremos de cada um (pelo respeito que nos merecem certas idiossincrasias), mas a de quem decide, em particular.
Passaram quase quarenta anos e aqui estamos nós a braços com uma redacção que constantemente rejeitamos, talvez por já estar cansada de tantas revisões provisórias. Até parece que nos falta firmeza, embora sintamos profundamente o traquejo para avançar. Enfim, apartemo-nos das quase lamúrias e de algumas razões, e passemos ao que melhor caracteriza a Iconografia Pacense: a divulgação de aspectos insuspeitos do nosso património cultural.
Quando, em 1995, a Junta de Freguesia de Portel, patrocinou a publicação de um livrinho ilustrado de nossa autoria, intitulado “Subsídios para a história do castelo de Portel”, há muito que havíamos comparado o sistema de protecção do acesso à sua torre de menagem ao da torre de menagem de Beja. Com efeito, no interior da praça de armas do castelo de Portel, tinha havido até meados do século passado, conforme podemos observar na fotografia do arquivo da antiga Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), datada de 1938, uma torre cilíndrica, de estilo mudéjar, protectora de uma escadaria de caracol que permitia o acesso privado, do interior da alcaiadaria, à torre de menagem. Essa torre de tijolo, fechada superiormente por um coruchéu cónico, era rematada por merlões chanfrados, tais como os da ermida de Santo André e da galilé da Igreja de Santa Maria da Feira, em Beja. Teria sido construída provavelmente no final do século XV ou no início do seguinte, no mesmo local (ou próximo dele) onde antes uma escadaria móvel condicionava o referido acesso.
A comparação, pela semelhança que tentamos estabelecer, entre os acessos às duas torres de menagem, é viável se atendermos às características arquitectónicas da base do acesso de Portel, parcialmente destruído. Também, no início do actual acesso à torre de Beja (ver fotografias), anteriormente situado no interior de edificações já destruídas[2], observamos no recanto à esquerda da porta ogival (B), os primeiros degraus de uma outra escadaria que inflecte para a esquerda, semelhante à que em Portel condicionava o acesso à torre. Aliás, à semelhança do que aconteceu em Portel e noutros castelos portugueses, o sistema defensivo da entrada da Torre de Menagem de Beja praticamente desapareceu, apesar de ainda restarem vestígios dos cinco cachorros (1, 2, 3, 4 e 5) da madre de alpendre que protegia a sua entrada. O actual acesso pleno, de um e de outro lado, pelo adarve circundante da muralha da alcáçova, é uma fantasia, funcional para turista, mas proibitiva para os tempos medievais, e resulta obviamente de um erro, aquando da reconstituição, na compreensão do seu sistema defensivo. O acesso sinalizado em A poderia comunicar com o adarve, para a direita, mas nunca com a entrada da torre – no local constata-se a dificuldade que houve em disfarçar as incongruências do novo acesso.
A Torre de Menagem de Beja não era excepção quanto à restrição de acesso. Apesar do seu aspecto estético, da maravilha de engenharia e arquitectura gótico-mudéjar que apresenta, não estava destinada, como hoje, em princípio, para fins culturais, pois possuía uma função militar de batedora da região circundante e de último reduto defensivo. Salientamos que para o estudo do acesso restrito à torre contam essencialmente os vestígios existentes, a razão e a sedução. Na tentativa de reconstituição que apresentamos, a protecção da escadaria até poderia ter outro formato exterior (prismático, por exemplo), e não se elevam as paredes para que se compreenda melhor o seu posicionamento primitivo. Julgamos, portanto, que a sua realidade histórica é uma hipótese a considerar em futuros estudos do castelo de Beja.
[1] A tal ponto é verdade o que afirmamos que basta conhecer a indiferença com que foram recebidas, em Beja, duas das principais exposições documentais que realizámos. Uma, no final de 1995, no Museu Regional de Beja, onde trabalhamos desde 1977, sobre “Iconografia Pacense”; a outra, sobre “Beja Monumental”, no encerramento ao público, para obras de reabilitação, em Agosto de 1999, no e do Cine-Teatro Pax Júlia. Como excepção, no RI3, realizámos, em 1998, com o devido apoio oficial, do regimento, uma das nossas melhores mostras documentais (plantas, manuscritos e obras impressas, fotos e pintura) sobre “Beja seiscentista e os Fortins do rio Guadiana”; também a EDIA, em 2001, patrocinou com a feitura de um catálogo, a cedência do espaço e o devido acompanhamento, uma outra exposição de aguarelas sobre o rio Guadiana, além de citar, nas suas publicações sobre Alqueva, algumas das nossas crónicas publicadas nesta secção sobre o rio Guadiana.
[2] Há, até, uma observação de Abel Viana, a p.392, do 2º volume da revista Arquivo de Beja, de 1945, relativa ao “apagamento”, pela DGEMN, das estruturas da nova alcáçova que ficaria adjacente à torre de menagem, enquanto a velha alcáçova, já desactivada, funcionaria possivelmente na área da actual entrada principal do castelo. De facto, D. Dinis, faz a doação de duas torres (a Guedelha, filho do rabi maior) que estão sobre a porta da sua alcáçova velha contra a vila, em 1306.
Cf. BORRELA, Leonel - "Iconografia Pacense - Um acesso plausível à Torre de Menagem do Castelo de Beja" in Diário do Alentejo de [data a confirmar] 2009